30/03/2005 Agatha Christie em anime
Por Marcelo Augusto Galvão
Agatha Christie (1890 - 1976) é a mais famosa autora de livros policiais do mundo, com milhões de exemplares vendidos. As histórias estreladas pelos seus personagens mais conhecidos - o detetive belga Hercule Poirot a solteirona inglesa Miss Jane Marple - já foram adaptadas em peças de teatro, dramatizações de rádio, filmes para o cinema e seriados para a TV. Para completar, só faltava um desenho animado. Agatha Christie's Great Detectives Poirot and Marple preenche essa lacuna.
Agatha Christie no Meitantei Poirot To Marple é o título
original dessa animação produzida no Japão, país
que abriga um grande número de fãs da Dama do Crime (e também
um lugar que produz ótimas histórias policiais, infelizmente desconhecidas
no Ocidente em sua maioria). São 39 episódios de 25 minutos que
adaptam para o anime (como é conhecido o desenho animado japonês)
romances e contos com aventuras de Poirot e Marple, mas com uma novidade: a
presença de uma personagem criada especialmente para a série.
Ela é Maybelle West, uma garota de dezesseis anos que sonha em ser detetive;
sua presença serve não só de fio condutor na série,
mas também para atrair uma audiência juvenil para o desenho.
Produzida pelo estúdio de animação Oriental Light &
Magic Inc. (o mesmo de Pokémon) para o canal NHK, Great
Detectives Poirot and Marple possui tramas que são adaptações
diluídas das histórias originais. Nos quatro primeiros episódios
é que a personalidade de Maybelle (filha de Raymond West, sobrinho de
Marple e personagem criado por Christie) é delineada. Em The Grand
Metropolitan Jewel Robbery, o primeiro episódio, a garota tenta
ajudar Poirot a desvendar o sumiço de jóias valiosas em um resort.
Não é difícil para o espectador descobrir o culpado, mas
ainda assim é interessante por apresentar Maybelle e Hastings, parceiro
de Poirot por várias vezes nos livros de Christie.
Mystery of The Cheap Apartment tem Poirot investigando um caso que envolve espionagem, com Maybelle sendo aceita como assistente do detetive, ao final do episódio. Em An Unusual Will, Miss Marple ajuda um jovem casal a encontrar um tesouro, enquanto em The Perfect Maid a solteirona de St. Mary Mead investiga o desaparecimento de um broche. Estes dois últimos episódios foram adaptados, respectivamente, dos contos “Uma Estranha Charada” e “O Caso da Empregada Perfeita”, ambos da coletânea Os Três Ratos Cegos e Outras Histórias.
A presença de Maybelle pode desagradar alguns fãs mais puristas
da série, ainda mais quando ela aparece com Oliver, seu patinho de estimação,
nas histórias. Da mesma forma, as tramas amenizadas, que foram tão
bem tecidas por Agatha Christie nos livros, podem irritar aqueles que procuravam
um whodunit mais substancial. Outro fator irritante é o comportamento
de alguns personagens secundários, cheios de maneirismos típicos
da sociedade japonesa (como o hábito de curvar-se ao cumprimentar alguém).
Mesmo assim, vale a pena dar uma chance ao seriado, seja pela tentativa de criar
um legítimo whodunit ou pela oportunidade de
captar uma nova audiência, neste começo de século, para
as tramas e personagens imortais criados pela Dama
do Crime.