27/11/2003 Fascínio macabro
Por Marcelo Augusto Galvão
Assassinos em série já fazem parte da cultura pop, infelizmente. Relatos de suas matanças fascinam pessoas em todo mundo, gerando produtos de consumo e entretenimento, como livros e filmes. Só para se ter uma idéia dessa popularidade, nos anos 60 foram produzidos apenas 3 filmes apresentando serial killers; na década de 90, o número já passaria de 100.
Não foi por outro motivo que este foi o tema escolhido para o primeiro
número de Contos Bizarros, uma edição
especial da revista Superinteressante que reúne nove histórias
macabras, no formato de quadrinhos idealizados por roteiristas e desenhistas
brasileiros, dos mais famosos criminosos.
A apresentação dos contos é feita pelo personagem Átila, anfitrião da revista na melhor tradição das HQs de terror dos anos 50. O primeiro, intitulado Palhaço Assassino, com texto de Jeferson de Souza e desenhos de Samuel Casal, trata de John Wayne Gacy, o empresário que matou cerca de 27 jovens, após torturá-los e sodomizá-los. Em seguida, é a vez de Átila apresentar um talk show com a presença de Ted Bundy, através do traço de Octavio Cariello e o roteiro de Dario Chaves, onde conhecemos os crimes do charmoso e cruel assassino.
O Filho que queria ser Mãe mostra Eddie Gein, o psicopata que inspirou personagens do cinema como o Norman Bates do clássico Psicose (e que, diz a lenda, teve o título traduzido em Portugal como “O Filho que era a Mãe”). Os desenhos de Kipper transmitem com perfeição todo o clima de morbidez na história do homem fascinado pela mãe morta. Com roteiro de Cíntia Cristina, é um dos contos mais aterrorizantes da revista.
Contos Bizarros também tem espaço para canibais. É este o caso de Albert Fish ( inspiração para a criação de Hannibal Lecter do livro O silêncio dos inocentes), cuja história é contada através do traço infantil de Vicente Mendonça em cima do texto Cíntia Cristina, e Jeffrey Dahmer, o canibal de Milwaukee, cujos crimes ficam ainda mais apavorantes com o realismo dos desenhos de Renato Guedes - também responsável pela capa da revista - e o roteiro de Dario Chaves.
Os dois contos seguintes tem roteiro de Dagomir Marquesi. Anticristo Superstar apresenta Charles Mason, o assassino em série que acabou tornando-se uma espécie de popstar, enquanto O Filho de Sam trata de David Berkowitz, que dizia receber ordens de um demônio chamado Sam. Os contos são desenhados por Rogério Nunes e Bruno D’Angelo, respectivamente.
Em se tratando de serial killers, não poderia faltar aquele que é considerado o patrono de todos eles. Jack, O Estripador marca presença através do texto de Edson Aran e desenhos de Marcelo D’Salete.
Já o último conto da revista, ilustrado por Fábio Moon e Gabriel Bá em cima do roteiro de Jeferson de Souza, é dedicado ao Zodíaco, o assassino que deixava sinais associados à astrologia e cujos crimes tinham ligações com conjunções astrais. Assim como Jack, sua identidade nunca foi descoberta.
Como funciona a mente de um serial killer? encerra a revista com Átila explicando, através dos desenhos de Sam Hart e texto do psiquiatra forense Guido Palomba, as principais características de um assassino em série, como são classificados pela ciência etc., de um modo um tanto quanto superficial, o que não é de se surpreender, visto o pouco espaço disponível na publicação.
Este, aliás, é o único ponto negativo de Contos Bizarros. As histórias de Ted Bundy e Charles Mason, por exemplo, acabaram prejudicadas pelas poucas páginas. Ainda assim, todos os contos informam o básico sobre cada um dos personagens, cabendo ao leitor aprofundar-se mais no assunto, seja através da internet ou de livros, e conhecer gente como o brasileiro Maníaco do Parque ou Gary Ridgway, que recentemente confessou a morte de 48 mulheres.
Contos Bizarros custa R$ 7,95 e, dependendo do sucesso deste primeiro número, mostrará nas edições subsequentes outros personagens macabros.