30/07/2004 Morte na Terra do Sol Nascente

Por Marcelo Augusto Galvão

John Rain é um assassino profissional autônomo. Sua especialidade: fazer com que as mortes pareçam naturais. Apesar de sua profissão, Rain tem um código de conduta profissional que o impede, por exemplo, de aceitar matar mulheres. Mas ele e seu código serão postos à prova em Chuva de Outono (Editora Rocco), o excelente thriller de estréia do americano Barry Eisler que tem como cenário um Japão pouco conhecido do público ocidental.

Rain é filho de pai japonês e mãe americana e sempre sentiu-se perdido entre as duas culturas. Educado nos Estados Unidos, lutou no Vietnã e após a guerra retornou para a terra do pai, onde passou a trabalhar naquilo que sabia fazer de melhor: matar pessoas, fazendo com que estas tenham uma morte “natural” para evitar suspeitas. E assim ele vai ganhando a vida, vivendo sozinho até o dia em que encontra Midori Kawamura, uma jovem pianista que vem a ser filha do último alvo de Rain. Eles se apaixonam e a partir daí começam os problemas, quando Rain é contratado para eliminar a moça e envolve-se numa trama cheia de corrupção e morte que Eisler - um advogado que trabalhou durante vários anos no Japão - conduz com firmeza.

Ao contrário de outros thrillers no mercado, Chuva de Outono começa sem pressa, mostrando aos poucos o passado de Rain e criando uma atmosfera de credibilidade para o personagem Ao mesmo tempo, Eisler descreve com detalhes uma Tóquio desconhecida, com seus bares temáticos dedicados ao jazz e ao uísque; seus “love hotels”, lugares similares aos motéis brasileiros; a xenofobia e a corrupção que permeiam a atual sociedade japonesa (o que talvez surpreenda quem pensava que este mal só existia ao sul da linha do Equador). Da mesma forma, ele conseguiu criar um personagem com que o leitor se identifica, fazendo uma relação entre os ronins - como eram chamdos os samurais sem mestre - e Rain, um veterano das Forças Especiais que viu-se perdido com o final da guerra e que agora perambula pelas ruas de uma Tóquio noir.

No final das contas, Chuva de Outono é uma história de samurai - figura que já faz parte da cultura pop e que tanto atrai o público ocidental - atualizada para os tempos modernos e que cumpre a sua função de divertir o leitor por algumas horas.

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