27/11/2003 Novas séries no canal USA
Por Marcelo Augusto Galvão
Este mês marca a estréia de 3 séries policiais no canal de assinatura USA: Crossing Jordan, Karen Sisco e Missing. Curiosamente, todos contam com personagens femininas nos papéis principais.
Crossing Jordan (canal USA, segunda a sexta, 20 horas) é uma produção de 2001 da NBC e apresenta Jordan Cavanaugh (Jill Hennessy, a promotora assistente Claire Kincaid do seriado Lei & Ordem), uma médica legista impulsiva, com um forte senso de justiça e que, invariavelmente, mete-se em confusão quando ultrapassa suas atribuições de legista e passa a investigar os mais diversos crimes por conta própria. No primeiro episódio, por exemplo, Jordan tenta descobrir a relação entre a overdose de uma prostituta adolescente e o suicídio de um político.
A personalidade e a história de Jordan já são definidas logo nos primeiros minutos do episódio piloto. Ficamos sabendo que ela está voltando para Boston, sua cidade natal, à procura de emprego, depois de ser despedida de quase todos os necrotérios dos EUA devido ao seu temperamento. Seu senso de justiça extremo tem origem no assassinato nunca esclarecido da mãe, quando Jordan era criança; a tragédia levou o pai, um policial católico descendente de irlandeses, a dedicar-se obsessivamente em descobrir o assassino, o que acabou custando-lhe o emprego.
A forte relação entre pai e filha é bem explorada, principalmente quando Jordan volta para casa e descobre que o pai tem um novo relacionamento amoroso. Jordan também reencontra antigos amigos (como o chefe do necrotério, interpretado por Miguel Ferrer, o agente Rosenfield de Twin Peaks) e desafetos.
O seriado foi vendido ao público como uma espécie de “C.S.I. feminino”, com um toque mais humano, que é facilmente percebido: as vítimas, em Crossing Jordan, não são apenas uma desculpa para uma trama elaborada. E mesmo os personagens coadjuvantes têm profundidade, com a sorte ainda de serem interpretados por atores talentosos como Ferrer e Ken Howard, o pai de Jordan. O episódio piloto ainda conta com a participação especial de Kyle Secor (o detetive Bayliss do seriado Homicide), mais uma vez no papel de um policial da unidade de Homicídios.
Além de ser bem filmado, com folk irlandês como música de fundo, Crossing Jordan também utiliza um interessante recurso para reconstituir os crimes: um jogo de faz-de-conta entre Jordan e o pai, onde cada um assume o papel alternado de assassino e vítima, na tentativa de solucionar as mortes.
A relação entre pai e filha também está presente em Karen Sisco (canal USA, terça-feira, 23 horas), série que estreou este ano nos EUA e que tem como base o livro Out of Sight de Elmore Leonard, que por sua vez também inspirou o filme Irresistível Paixão (1998), dirigido por Steven Sodenbergh e com Jennifer Lopez no papel de Sisco e George Clooney como um charmoso bandido. O seriado é produzido por Danny DeVito e Barry Sonnenfeld, respectivamente ator e diretor de O Nome do Jogo (1995), adaptação de outro livro de Leonard.
Karen, desta vez interpretada pela belíssima Carla Gugino (Olhos de Serpente, Spy Kids) é uma U.S. marshall (delegada federal, na versão brasileira) de Miami responsável, entre outras atribuições, pela captura de fugitivos de prisões federais americanas, transporte de prisioneiros e cumprimento de mandados de prisão. Robert Forster, que coincidentemente já trabalhou em outra adaptação de um livro de Leonard (Jackie Brown, dirigido por Quentin Tarantino em 1997), é o pai de Karen, um detetive particular sempre disposto a aconselhar a filha.
Logo no episódio piloto, Karen envolve-se, sem saber, com um assaltante de banco, enquanto tenta se recuperar do trauma de uma missão fracassada. Esta primeira história conseguiu captar o charme que existe nos livros de Leonard, que consiste na mistura de bandidos extravagantes e policiais de caráter duvidoso, todos sob o sol de Miami. E como acontece nos livros de Leonard, não existe o whodunit habitual em séries do gênero, mesmo porque o trabalho de um U.S. marshall é diferente de um policial comum ou agente do FBI. O único elemento que fez falta foram os diálogos bem-humorados característicos do escritor, razão pela qual suas obras são tão apreciadas por Hollywood.
Além de Gugino e Forster, faz parte do elenco fixo Bill Duke no papel de Amos, chefe de Karen. As participações especiais foram de Patrick Dempsey, Gary Cole e Benito Martinez (o capitão Aceveda do seriado The Shield).
A estréia de Karen Sisco teve bons índices de audiência e críticas favoráveis nos EUA. Agora é torcer que os próximos episódios mantenham a qualidade e, principalmente, a audiência.
Missing (canal USA, sexta-feira, 23 horas) segue a linha “drama policial-paranormal”, no mesmo rastro de séries como Profiler e Millennium. Esta produção de 2003 do canal feminino Lifetime, que tem como inspiração a série de livros juvenis 1-800-WHERE-R-U, apresenta Brooke Haslett, uma agente do FBI e Jess Mastriani, uma jovem vidente, interpretadas respectivamente por Gloria Reuben (The Agency) e Caterina Scorsone, investigando casos de pessoas desaparecidas.
O primeiro episódio mostra a origem do dom de Jess o conflito entre ela e Brooke, uma cética de carteirinha, ao investigarem o desaparecimento da esposa de um político, o que num primeiro momento lembra o conflito entre Mulder e Scully nos melhores momentos de Arquivo X.
Infelizmente, a comparação pára aí mesmo. O resto da trama do episódio piloto segue burocraticamente, em um ritmo morno e sem qualquer tipo de surpresa; a manifestação da clarividência de Jess através dos sonhos, por exemplo, não traz nenhuma novidade. Entretanto, um ponto curioso levantado é que a família de Jess é formada por outros médiuns, como é o caso do irmão que conversa com o pai falecido, o que talvez forme um trama secundária no futuro.
Além de atuar, Gloria Reuben canta a música de abertura.
Este episódio também traz a participação de
Vondie Curtis-Hall como o namorado de Brooke. Curiosamente, ambos já
trabalharam em seriados com tema médico e na mesma época:
Reuben em E.R. (Plantão Médico) e Hall
em Chicago Hope.